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A palavra Tantra, etimologicamente falando, deriva de Tanoti que significa "expansão" e Trayati que significa “liberação”, ambas sânscritas. O Tantra, como um conjunto ordenado de conhecimentos é relativamente recente (cerca de 800 anos).   Trata-se de um sistema filosófico/existencial surgido em ramos matriarcais, especialmente na Índia dentro da cultura védica.

A liberação (moksha) é em nível filosófico a meta última do ser, pois neste nível encontra-se a união com o todo. Esse objetivo é comum em praticamente todas as linhas filosóficas.

O Tantra ensina que "estar aberto" é a chave para a felicidade. Isto nada tem a ver com o "ter" ou "possuir". É um estado de ser que é alcançado quando cessam as metas e não mais o passado e o futuro nos tocam. O agora e a paz são assim revelados.


O que distingue, neste aspecto particular, o Tantra de outras modalidades filosóficas  são as ferramentas utilizadas para conduzir o praticante (tantrika) a este estado de liberação ou vacuidade essencial.

Sendo o Tantra uma linhagem basicamente de natureza matriarcal e portanto feminina, isto se faz através do toque, imersão em nossa natureza emocional, dês-repressão, libertação de crenças, padrões e paradigmas.

O Tantra é também chamado de "O caminho do Coração". Há um momento na existência em que não acreditamos mais na mente e reconhecemos o abrigo de uma sabedoria do qual brota a compaixão. Quando isto acontece vivemos o mundo pelos olhos do coração.

Especialmente no ocidente, associa-se ao Tantra, todo um conjunto de práticas de natureza sexual. Por um lado este é um aspecto que comercialmente falando tornou-se muito interessante, e para muitos, tentador. Porém, o Tantra trata de energia e não de sexualidade.

Ocorre que o sexo é um grande tabu quase que universal, e por isso uma parte considerável dos exercícios tântricos vão de encontro à quebra dos paradigmas e limitações sociais e religiosas que interceptam a energia  primordial (shakti), o que geralmente cria um represamento causador de praticamente todas as neuroses vividas pela cultura atual.

Ou seja, o Tantra como uma ferramenta de libertação leva o praticante a um contato com os seus medos, culpas, controles e raivas e a percepção dos mecanismos que alimentam estas estruturas de ego.
Quando este processo é desenvolvido somente no nível mental é filosofia.

No Tantra, porém, tratamos essencialmente com experiência, ou seja, com prática. A iniciação (samskara) se dá pela experiência direta, ou por experimentos que levam o praticante a despir-se dos padrões viciosos que são, por assim dizer, as estruturas nas quais se fundamenta o ego.

Quando a ação é no mundo experimental, os véus da mente vão paulatinamente se dissipando, de modo que a luz interna se faz cada vez mais visível. Este caminho é especialmente sensorial, não mental e libertador.

O Lótus é uma flor que nasce quando a luz incide sobre as águas dos pântanos hindús. O Tantra diz que assim é como o homem. Quando a luz da consciência tange as partes escondidas do ser, a flor nasce, e com ela um novo homem.

Como um corpo orgânico de conhecimentos e valendo-se da natureza multidimensional de nosso ser, nossas praticas, em nossa abordagem, envolvem ferramentas transpessoais e até mesmo xamânicas para facilitar o contato com o nosso eu profundo.

Qualquer explicação ou tentativa de entendimento de tudo isto é ainda uma experiência minimizada, uma vez que nada, absolutamente nada, substitui a experiência direta. Nossos cursos, em se tratando de Tantra, são vivências onde praticamos este encontro conosco mesmo.

Por se tratar do Tantra um corpo filosófico/experiencial oriundo de raízes matriarcais, sensoriais e dês-repressoras, e assim, não dogmáticas, não podemos dizer que este ou aquele Tantra é verdadeiro ou melhor, pois verdade e inverdade são julgamentos racionais baseados em comparações e portanto, teorias. Cada um encontra, quando aberto, o guru que merece.

Como dizia o antigo aforismo:
---- Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece.

Ananda Prem


 


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